Sobre o risco e o abismo

Eu queria muito sair dessa cama, abrir a janela e ver o dia acinzentado e não ter medo.
Sempre soube do risco, da beira do abismo, e eu segui em frente, eu ainda via um abrigo na compreensão. Não há nada além de mim mesma aqui, se é que estou mesmo aqui. Não sei mais exatamente o que eu posso ser nesse lugar, e se há um lugar pra mim.
Eu queria me apaixonar, mas eu sinto tanto medo de tentar manter alguem por perto. Eu espero alguém que queira estar perto,  mesmo para alem do medo, para alem do cansaço, para alem das minhas palavras fielmente alinhadas, alias, aqui dentro nao ha nada tão firme assim, eu me sinto vulnerável a espera de um peso em cima do meu corpo, que faça eu sentir a gravidade. Porque assim, leve como eu estou, me sinto vagando pelos cômodos da casa.
Eu queria pedir pra que tu ficasse comigo, mas nem tu, nem ninguém vai aceitar minha proposta tristemente apaixonada. Porque nao ha nada de apaixonante em mim hoje. 
Fico no canto, acanhada, sozinha, vendo a vida passar, sem que eu me mexa, nem pra abraçar a solidão. 

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