Sol de inverno desbravando em leão

São pouco mais de sete horas da manhã, e o sol que desbrava o inverno está tão bonito — uma mistura de delicadeza com a função exata de contrariar as estações do ano. Isso me lembra você: uma docilidade envolta por uma marra de quem sempre precisou desbravar o mundo, porque sabe que nada, absolutamente nada, virá até você com um delicado “com licença”. Isso diz muito sobre estar cansada e, ao mesmo tempo, brilhar em tudo que faz — uma contradição exata que me faz suspirar e admirar ao tentar te descrever.

Dia dois de agosto por trinta e oito anos… é muita coisa pra lidar, né? Mas é o seu dia. E são os seus anos. Certamente o dia de mais milhares de outras pessoas, eu sei — não sou mais ingênua como quando pequena, achando que aniversários são únicos e brilhantes como unicórnios. Nem uma coisa, nem outra. É só mais um dia pra maioria das pessoas. E pode, sim, ser um dia horrível — se você permitir.

Mas o que realmente importa é que, pra mim e pra muitas pessoas que te querem bem (e não são poucas), esse é o dia em que comemoramos mais um ciclo seu, mais um ano em que você está nas estatísticas contrárias: uma sapatão viva e revolucionando em cada passo que dá.

Eu queria que você pudesse se ver com os olhos que eu te vejo — tão completamente cheia de si, em todos os aspectos. Nos traços fortes, no sorriso cativante, nas cicatrizes de um tempo que já passou… e que, mesmo assim, não levou embora sua generosidade, nem sua grandiosidade. Você brilha, meu bem.

Eu sei que desejar “feliz aniversário” talvez esteja entre os maiores clichês, mas… há algum tempo eu tenho gostado dos clichês. Eles existem por algum motivo, e na minha humilde opinião, não são para cumprir protocolos. São pra dizer coisas que sentimos e que, às vezes, não conseguimos dizer de outra forma. Assim como a saudade, o amor, a paixão e a dor.

Eu realmente desejo que, se não for um dia feliz, que ao menos não seja tão doloroso. Que você possa enxergar, no dia de hoje, um motivo pra se reinventar — ou pra dizer a si mesma:
"Eu venci mais uma volta ao sol. Estou viva. E coisas estranhas podem acontecer… e podem ser boas também."

E espero que você se sinta no final do dia como diz a canção que eu ouvia por volta dos meus vinte anos:

“Today was a pretty day
No disappointments
No expectations on your whereabouts
[...]
Did it finally show
That strange things will happen if you let them?
Today I didn't even try to hide
I'll stay here and never push things to the side
You can't reach me 'cause I'm way beyond you today
Autumn comes with
These slight surprises
Where your life might twist and turn”

 Eu desejo que você fique por aqui. Por inteiro. Nesse mundo — e, quem sabe, no meu mundo também. Que possamos aprender, uma com a outra, um pouco mais sobre ser quem somos, sem amarras, sem pudores, sem tantos medos do que a vida tem a nos oferecer. Mesmo com a certeza de que nem sempre será bonito. E que tudo bem ser melancólica, e não alçar todos os voos desejados. Às vezes, terra firme é o que a gente precisa… pra, mais tarde, pular do penhasco e aí, sim, voar.

E finalizando com Matilde Campilho:

“[…] portanto, escute:
Isto é muito sério!
Isto é uma proposta aos trinta (e oito) anos
Agora que Mercúrio assumiu sua posição certa,
Vem comigo achar o meu trono mágico entre as folhagens
E no caminho até lá, vem dançar comigo, vem!”

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