Se você realmente for embora...

E mesmo dentro de um contexto que contradiz, você vem e me convida a me retirar, me retirar de vez da sua vida. Não toma nenhuma atitude drástica e demonstra uma certeza abalada, mas ainda assim você espera minha resposta e por alguns instantes eu acredito que sua atitude dependerá da minha resposta. Não te faz bem estar em contato comigo, e se eu realmente não tivesse embebida de nenhum egoísmo eu teria te ajudado a sair de perto de mim o quanto antes. Mas como eu posso fazer isso, meu bem, se você já faz parte da minha rotina, do meu amanhecer, do meu dia-a-dia, e até sua hora rígida de dormir já está encaixada na minha agenda diária? Ás 20h ou até no maximo umas 21h eu já fico assombrada com sua despedida, mas me sinto aliviada de saber que no dia seguinte ouvirei sua voz novamente.
Eu passei por situações muito difíceis no que diz respeito ao abandono e rejeição, eu não queria passar por isso de novo. Você sabe tão pouco dessa dor que ainda é latente, e nem tem que saber mesmo, eu só queria que em algum lugar misterioso do seu ser, fizesse sentido ficar, sentar e segurar minha mão. Eu tenho um desajuste dentro de mim que me faz querer ter certezas, e eu sei que absolutamente não há como ter, sobre absolutamente nada. Mas me causa ansiedade, desejos, vontades, imaginações, e hoje eu tenho quase uma playlist que eu ouço pra lembrar de ti, mesmo que eu ainda não saiba como são exatamente seus traços. Eu não confio muito na ideia de que vamos nos encontrar um dia, pelo menos essa certeza eu não carrego, apenas a vontade latente, que eu sei, quanto mais distante se tornar, mais branda ela vai se tornando, por mim mesma. Eu não gosto da ideia de coisas inacabadas, ou aquele sentimento de que era possível mais, de que podiamos ter feito mais e não o fizemos por sentimentos que nem deveriam entrar na equação.
Eu sei o que eu sinto por você, você sabe o que você sente por mim, e eu sei que por isso tá sendo difícil sustentar a ideia quase dogmatica de me arrancar de você e da tua mente.
Eu não duvido que pra ti, por algum mecanismo desconhecido, seja mais fácil me esquecer, mas pra mim não será, e doerá até meu último fio de cabelo, eu sei que eu sobrevivo, mas eu tô tão cansada de sobreviver - você não está?
Eu queria pegar estrada ao teu lado um dia, discutindo amorosamente sobre qual música vamos ouvir e decidir por dividir o tempo e rirmos de nós mesmas enquanto minha mão esquerda se mantém na sua coxa direita. Eu queria te ver dormindo, entender como o seus coração e seu sistema respiratório funciona, mesmo que eu já tenha aprendido nas aulas de biologia, por que eu sei que só você ressona do jeito que eu irei ver (ou não). Eu queria saber quais partes do corpo você ensaboa primeiro no banho, e se um dia tomassemos banho juntas, seria incrível sentir seu corpo molhado e escorregadio junto do meu. Queria ver como você conversa com o Bob, se usa apelidinhos e vozinhas com eles, e rir de tão fofo que deve ser. Assim como queria ver a Pretite deitada no seu colo, ela é muito carente e com certeza seu colo seria perfeito pra eu brigar com ela por um espaço, e você defenderia ela, rs.
São tantas coisas, o mundo pode ser tão bonito pelas óticas certas, com os sentimentos certos, com a pessoa certa, mesmo que ainda haja medo e insegurança, ou aquele frio na barriga difícil de lidar, não importa eu lido com tudo isso por nós duas.
Eu só queria uma chance, mas eu sei que pra tu, dar uma chance, é dar tudo que você tem. Então se você for embora enquanto minha imaginação cria tantas condições e belas histórias, deixa eu sonhar, vá embora sem que eu perceba, pra um dia acordar assustada e não te ver por nenhum canto, e chorar todo meu âmago, mas sabendo que o tempo já passou. Nós, já passamos.

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