Fuga
Hoje eu me sinto completamente desconfortável dentro de mim,numa ansiedade calada, que me faz ser hostil com as pessoas à minha volta. Eu sinto raiva, por acreditar num discurso bonito mas que não foi nunca palpável. Eu nunca olhei nos teus olhos e ainda que isso pudesse acontecer, eu tinha a sensação exata de que de alguma maneira mística isso ja havia acontecido. Tivemos conversas profundas, nos aproximamos além dos quilometros de distancia. Você me disse, com toda a sabedoria do mundo que, somos pessoas diferentes. E sim eu sempre soube disso: iguais na diferença e no medo,mas na cautela não, no desejo não, e na concretude do pular do penhasco em busca de um atalho pro desconhecido, muito menos. Você me fala sobre um dia estar bem pra se endereçar ate mim ou me permitir pegar a estrada até sua casa, mas eu sei que isso não vai acontecer...sabe porque? Pessoas como nós vivemos numa constante angústia que não nos dá o direito de estarmos bem pra colher o bem desconhecido, que nos permita o risco. O risco não tem garantia, não tem manual de instrução, e nossa complexidade emocional não vai se tornar algo fácil de uma hora pra outra, ou de um mês ou ano pro outro. Fico pensando o que fez com que nos encontrassemos no virtual, eu sei que parece menos arriscado trocar palavras de afeto e até promessas de um encontro recente por meio de uma rede sem fio, mas o que não te contam é que pra quem sente como se tocasse a ferida com um espeto invisível, isso já é demais pra bagunçar tudo com um 'não estou pronta'. E eu sei que tu não está e talvez nem eu esteja, mas, sem brilho nenhum: algum dia estaremos?
Vamos esperar até que a luz verde se acenda fluorecente? Estaremos sempre tentando apagar o incêndio e não teremos tempo de sair do prédio em chamas, de segurarmos as mãos ou os pés uma da outra, apenas esfriaremos e nos esconderemos enquanto o fogo vire apenas uma fumaça tóxica e intragavel. No meio do caminho nunca saberemos quem vai e quem fica, nunca sensação constante e longuinqua de estármos só e tão só sobrevivendo.
Eu queria poder ter a chance de parar de sobreviver e viver ao teu lado, mesmo que no submundo do carnaval, mesmo que por um final de semana, que se desdobraria em outras semanas ou não, se afogaria na minha sensibilidade tosca de quem chora quando se deita.
Eu sempre tive medo de ser quem eu realmente sou: muito, muito sentimento, onde as pessoas comumente me pedem calma e cautela, eu nao sou calma, eu sou urgente e eu sei das loucuras infindávelmente agridoces que eu sou capaz de despertar nas pessoas que optam se fundir a mim, no amor torto, no desejo fugaz, na marca que nem tinner é capaz de arrancar. Eu não sei viver morno, mas eu sei viver no ápice, nas noites de lua cheia, no cheiro de lavanda ocupando o asfalto, nas palavras louváveis...só deixa eu te tocar, porque quando tu já me tocou, eu não preciso aguçar nada, está tudo a flor da pele, e pode ser seus melhores momentos. Não garanto que seja manso, mas garanto que seja inesquecível.
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