Caro amigo da madrugada

Ja são duas da manhã, tem uma mulher maravilhosa na minha cama, mas eu preferi a sala pra falar contigo, não quero correr o risco de soluçar segurando o choro. Minha cabeça está cansada, desde que você se foi não consigo trabalhar direito, está muito difícil seguir, mas eu sigo mesmo assim, ouvindo sua risada de fundo, lembrando do seu jeito brilhante e as vezes irritante. Eu sei que ja falei disso uma porção de vezes, mas eu só queria ter mais um pouco de você por aqui. Tudo se torna tão mais complexo na ausência, ausência das palavras, da voz, da escuta, dos barulhos que antes preenchiam tudo. São quatro meses sem você, o tempo passou rápido, ainda que seja tão pouco. Eu nao me lembro do dia do seu aniversário, mas sei que é de peixes, não lembro sua idade exata, mas lembro que beirava os trinta e poucos. Não era nada disso que eu sentia a necessidade de lembrar, e sim o seu sorriso abrupto, sua forma de fazer tudo parecer maia leve, e o gosto que você tinha em lidar com as pessoas. Eu nunca me achei ruim, mas nada se comparava à você. 
Lembro quando voce falava em inglês, com aquele sotaque de professor, ou quando falava sobre anatomia, me lembrando o quão sábio você era.
Eu sei que os ultimos tempos antes da sua partida não foram dos melhores e hoje eu vivo uma dor aguda de não poder te chamar pra mais perto. Isso tudo parece tão clichê,  mas o amor precisa dos seu tom piegas pra nascer e renascer. Eu to amando de novo, a gente consegue sugar tudo de nós,  as coisas incríveis e as ruins também, por isso ando confusa. Perdi muitas pessoas e seres nesses últimos tempos, e ta sendo quase insuportável lidar com tido isso num engarrafamento sem fim.
Eu sei que tu me ajudaria, que estaria ao meu lado, se nao fosse você uma das razões da minha falta.
Acho que podemos parar por aqui por enquanto, só dizendo novamente que eu sinto muita saudades 

Comentários

Postagens mais visitadas