Nada que fevereiro não cure II

Cada dia me surpreende nossa capacidade de deixarmos de nos amarmos, de burlarmos, de caçarmos motivos pra novos ataques, e tudo isso embalado com papel cintilante para presente. O óbvio já não é tão óbvio assim, tudo vai ficando nevoado e com uma pitada de sarcasmo. Eu não sou assim, da forma como eu tô deixando você ver, ou pelo menos não só isso.
Eu já vi esse filme antes, e eu sei que o atalho que pegamos nos leva pra lugar algum. Não vamos mais nos abraçar, não vai sobrar espaço pra abraço em meio ao tiroteio, meu bem. E estamos dando nossos escudos de mãos beijadas nas mãos dos que dizem querer nos ajudar (nos ajudar?).
Eu corro contra o tempo, porque eu sei que tempo é vida vivida, e não estamos vivendo nada, mais nada. Estamos inalando o veneno que era pra ser antídoto, exatamente como fiz há meio ano atrás. Estamos correndo contra a luz, verso em verso, dizendo "sou assim".
Eu já não consigo sentir tristeza, eu só repito como quem desiste: "eles ganharam.", e não há mais nada que possamos fazer.

Janeiro era o mês da esperança, e não foi, mas como eu já havia mencionado: - não há nada que fevereiro nao cure. 
E como já diz a música "Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar. Estou me guardando para quando o carnaval chegar. Eu estou só vendo, sabendo sentindo, escutando e não posso falar. Tô me guardando pra quando o carnaval chegar!"

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