Desbravar o desconforto
Ah que vontade de você, que desassossego, mas já é tarde demais pra voltar atrás.
Te desbravar é o único caminho possível nesse momento,
Eu preciso saber onde te dói, pra tocar de levinho, sem erro
Eu preciso descobrir onde a felicidade e o desejo te alimentam pra eu te inundar.
Te fazer esquecer o medo de se abrir, de abrir tuas verdades sem piedade,
Pra que doa só a desova e depois tu seja desbravada em alivio - tu precisa de alivio, garota.
É preciso conhecer o prazer de ser sopro de vida pra uma outra vida, mesmo que tu ainda sinta que não há mais como respirar na superfície terrestre.
Eu sei, meu bem, tem sido hostil demais a vida para pessoas como nós, e por isso eu te peço, me dê sua mão, e mesmo que imersas apenas nas nossas conversar intermináveis, ou quem sabe entre quatro paredes de um apartamento no centro da maior metropole da america latina, eu possa te mostrar que somos capazes de ter momentos de paz dentro da angústia, e que um ou dois, ou cinco, sorrisos bobos e brevemente apaixonados não te farão mais fraca - a vulnerabilidade de estar enroscada no corpo ou na mente de uma outra mulher, pode ser a delicia de desatar alguns nós, e se reconhecer única e brutalmente querida.
Eu quero chegar pertinho, e tatear cada detalhe do teu corpo, passear pelos teu pêlos, te ver acenando levamente com as palpebras, me permitindo cheirar toda a tua pele. Nada me escapa, nem seus fios de cabelo curtinhos, seu queixo, seus braços ou seus dedo mindinho do pé esquerdo.
E desejo intimamente, que me escape a dúvida constante de não ter certeza se tu vem pros meus braços daqui duas semanas, que me escape o medo de te ter apenas na minha imaginação, que hoje (me perdoe) viaja longe, sobe aos céus e desce ao inferno em questão de milessimos de segundos.
Eu quero que seja simples, mas não quero que seja raso, eu quero que seja tranquilo mas que não seja fugaz, e tão pouco fêmero.
Quando tu fala que mesmo com medo tu virá, sinto meu corpo esquentar, e me toma o fôlego a possibilidade de tu ter a certeza desconcertante de sair da sua zona de conforto pra se aventurar na possibilidade de achar conforto no meu colo.
E eu quero ser teu colo, e eu quero ser teu início de desconforto, quero que tu me desbrave, com os olhos, com o olfato, com o tato, e mesmo um pouco amendrontada eu quero me desarmar e confiar num fio quase transparente e frágil de que tu tocará minhas feridas com cuidado, pra entender onde dói, onde ainda está cicatrizando pra poder se desaguar em mim e que eu desague em ti, sem o risco de nos afogarmos.
Até breve...
Comentários
Postar um comentário