Coragem
Agora é preciso coragem, coragem pra seguir e pra esquecer o inesquecível. É preciso coragem para pintar as unhas sabendo que tu não as verá, coragem pra delimitar até onde é possível sofrer com a ausência que já se fazia presente há quase um mês, mas agora é palpável. Estranho palpar a ausência, mas é assim que sinto agora.
Coragem pra ouvir as músicas sem me debulhar em lágrimas, tornar como algo mais nostálgio do que trágico, fazer do luto, apenas um saudosismo sem grandiosidade.Tornar o inimaginável. o imaginavel, e os pés firmes no asfalto da metrópole cinzenta, e esquecer que contigo eu acreditei que São Paulo podia ser de muito amor.
É preciso coragem pra poder caminhar sem correr, e correr no momento certo, e escrever tudo que ficou entalado na garganta, no coração, no útero, sem ter a mínima ideia se tu lerá minhas palavras um dia.
E ler "um dia", sem pensar que tu estará lá, e ler "uns meses" sem imaginar que tu voltará para meus braços e também os planos, sem que teu nome os acompanhe.
Eu sei esquecer, meu bem, eu só demoro um pouco, ainda mais quando o esquecimento se fez necessário no silêncio, no escuro...Ah, meu amor, eu precisava que tu tivesse gritado comigo, me xingado, me humilhado, mas tu apenas me devolveu um punhado de nada, palavra essa que eu sempre te disse que não tem tradução.
São só e tanto, dois dias, que tu me disse sem abolutamente nenhuma palavra que era hora de ir embora, e tu foi...e eu fico, no mesmo lugar, por enquanto, paralisada, logo mais fingindo que nada foi real.
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