A espera
Eu sei que disse que estaria à sua espera, e que você disse que em breve voltará. Mas ela me disse a mesma coisa e eu fiquei esperando na rodoviária por meses, ela não voltou.
Não sei se posso esperar novamente, meus pés estão cansados de dar voltas e voltas na impaciência da espera.
Já não espero encontrá-la, que bom (e melancólico).
Ela não sabe mais como são minhas manhãs e não me chama mais de baby, então logo não ouvirei você me chamando de linda. As janelas fechadas fazem sentido agora, mas logo caminharei ao sol e quem sabe não irei ao carnaval? Hoje me sinto adoecida, gostaria que tu tivesse ao meu lado, pra que pudesse me embalar nos seus braços como um ninho. Mas a verdade é que tu nunca foi ninho. Eu sempre senti medo quando me afastava, eu olhava aqui calada e nunca me veio a certeza de qualquer segurança.
Ela me disse coisas belas, que ate Deus duvidaria, eu não duvidei e agora estou aqui pensando como é o verão no sul.
E agora estou aqui, pensando como tem sido os raios solares no litoral.
Eu sei que tu dirá com indignação que você não é ela, mas a dor da espera é a mesma.
Os dias úteis vão passar e são eles que eu uso pra poder esquecer os amores emaranhados, tem coisa que passa e alumia e não posso nunca dizer que foi efêmero porque por mais que tenha sido um mês ou quatro, aqui ficou em algum lugar, um pedacinho que não descola, que não avisa que vai ficar, mas fica.
Eu não gosto mais dessa sensação de ficar revivendo o que já não está latente, com cores vividas, e dessa vez, ainda mais, eu quero viver meus 35 anos. Eu juro que quero.
Então pega tudo que sobrou, leva pra longe, ou nem tão longe, só para de aquecer meu coração e logo em seguida deixar o vento frio entrar. Vá ou fica.
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