A confusão do medo

Eu baguncei tudo por medo, por medo de você ir embora eu quase me despedi de você.
É que eu nem sei pra onde você vai quando decide ir pra longe de mim, e isso me assuntou.
Eu senti tanto medo de te assustar que eu realmente te assuntei, eu fiz tudo pra te mander orbitando a minha volta, numa vaidade angustiante e aí eu só transformei tudo numa barreira invisivel. Eu quero que você fique, eu nunca quis tanto que você ficasse, mas eu não sei se você realmente existiu ou se foi um devaneio que eu criei pra mim.
Eu desisti de tentar ser quem eu não sou, segurar no peito algo que palpita de forma descompassada, pode ser que não faça nenhum sentido pra você ou pro responto do mundo, mas eu quero que se foda o mundo, eu quero abandonar minhas amarras, eu quero me libertar de mim mesma e da minha ansiedade de adivinhar um futuro dramático onde você me diz que não está preparada pra me ter na sua vida.
Tudo que voce mostrou de quem você é, do pouco que eu conheci, foi latente o suficiente pra eu ficar tentando te decifrar a cada segundo dos meus dias e das minhas madrugadas. Eu já te falei sobre quantas vezes eu acordei de madrugada com um sorriso no rosto ao lembrar do teu cheiro e uma angustia danada de não saber se eu voltaria a sentí-lo?
Sentir você se fundindo ao meu corpo me tocou profundamente, e eu senti tanto medo de estar sentindo tudo isso tão solitariamente que eu não quis que você soubesse por medo e confusão, o tempo todo a confusão que o medo trás, o tempo todo o medo que a confusão tras.
Em nenhum momento eu tive dúvidas de que eu queria sentir tudo aquilo de novo. Mas e se você não quisesse? (Alias, você quer?) Eu não sei o que aconteceu comigo, e não é como seu eu nunca tivesse me sentido apaixonada, mas dessa vez eu quis me calar com uma ilusão babaca de que estar vulnerável à você poderia ser uma prisão caso você decidisse ir embora. E não, você nunca me disse que iria, mas a ausência do seu olhar, do seu toque, do seu abraço, as palavras mal ditas, e mal interpretadas, sorrateiras,entrelhinhadas, dissipadas, me fizeram crer que eu seria muito pouco pro tanto que você me mostrou que você pode ser. Eu te achei grande demais, foda demais, brilhante demais, sábia demais, e num suspiro de comoção de mim mesma eu transformei tudo num bolo de linho onde eu nem sabia mais por onde começar a desalinhar. 
A verdade é que você me desalinhou, eu perdi meu cerne, aquela sensação de controle que tanto me deixa segura, mas a verdade é que a paixão é como um ópio que não te deixa mais saber qual o caminho de casa, numa esperança quase infantil de que o caminho seja você.
Eu quis dedicar cada música bonita à você, e eu ouvi tantas delas, mas novamente tive medo de te assustar com minha intensidade. Eu quis voltar a tocar violão, eu quis reaprender os acordes e as notas que eu esqueci há tanto tempo, e quem sabe tentar compor algo que eternizasse os dias que você me proporcionou um prazer inigualável. Eu tive medo de desempoeirar o violão e de voltar a dedilhar porque eu sabia que eu não esqueceria e ficaria martelando na minha cabeça se eu fui boa o suficiente naquela canção piegas, porque é só isso que eu sei fazer. 
Eu pensei nos filmes que eu queria te apresentar, e até quem sabe descobtir que gostamos dos mesmos, ou de um sequer. Eu quis ser a PORRA do amor da sua vida, porque ser legal, é legal, mas o tempo todo é uma mentira fodida. Eu conheci uma música aleatoriamente que fala sobre o sol em leão, e se eu te contasse que seu sol me ofusca os olhos, você acreditaria?
E todas as vezes que você se colocou como alguém pequena, incapaz, ou autodepreciativa eu queria arrancar de você essa visão turva e te mostrar o quão boa voce é em tudo que se propõe em fazer.
Eu me senti quebrada por todas as coisas que você me disse sobre mim mesma, e não por me sentir ofendida, mas por saber que eu te mostrei o que eu não queria mostrar antes mesmo de te mostrar que eu posso ser tão amorosa e gentil quanto você merece que eu seja.
E eu termino esse texto quase que vomitado do meu âmago sem nenhuma certeza, sem nenhum convite, só com um talvez que me ecoa numa angustia que carrega a velocidade da luz.

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