Paraguaia

De certo que a brisa morna da orla de Copacabana seria uma boa pedida para essa tarde ensolarada. Mas é a varanda da tua casa que me inunda a lembrança do nossos lábios se tocando pela primeira vez, carrego a memória a tira colo como quem não deve lembrar mas não pode esquecer.
E você veio, deixando pelo caminho palavras em outras línguas, pedaços de uma América Latina que não se lê nos livros e um olhar cativo, como quem deixa rastros pra eu saber pra onde voltar.
Teus olhos me chamam e, sem medo do mergulho, neles vejo as partículas ainda indissolúvel de um passado que tem nome, gosto e cor.
Vejo a movimentação da metrópole me engolindo e por alguns instantes a cachoeira paraguaia que tua memória me desenha me parece um bom destino.
Nesse emaranhado, entre águas frias e turbulentas, você me diz que não pode ir além, e eu sei que essa linha é tênue, que toda fortaleça tem suas nuances. Não te faço apelos apaixonados nem te peço pra ficar, aparo as lágrimas que me invadiram os olhos num momento inoportuno e recolho as sementes que por ventura semeei, não é hora pra um ou pra outro. Sei das marcas de resistência que carrego nesse corpo lésbico, machucado e fortalecido, sei do olhar catastrófico de quem já amou demais e da voz enrrouquecida pelo ultimo cigarro da noite. Sei das tantas coisas que me trouxeram até aqui e sei do desejo súbito que me faz querer saber mais sobre você, quando e se tiver que ser.

Yo quiero caminar por encima de tu pelo
Hasta llegar al ombligo de tu oreja
Y recitarte un poquito de cosquillas

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