Às mentiras
Você escreve muito bem, ela disse, e tantas outras também. Mas quando ela disse eu escrevi por dias a fio, sobre todas as coisas, e sobre as dores que ela me causava.
Uma vez escrevi sobre a dor enquanto ela me olhava serena, chorei sozinha no banheiro, não deixei que ela soubesse: era um dia pra ficar bem, era um dia pra ficar mais.
E além do mais, uma luz verde artificial tomava seu corpo por completo, e combinou com sua camisa branca e seus olhos mentirosos. Era sobre mentira que eu escrevia, sobre a mentira que vinha a galope.
Eu escrevo tão bem, ainda que seja sobre as mentiras que se repetiram mais tarde, ainda que eu escreva sobre a sombra que ela me causou ao se interpor entre mim e a luz verde. Talvez tenha sido a luz, não as mentiras.
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