Pressupostos
Me parece injusto te mandar qualquer mensagem, sempre deixo pra depois, pra algum momento em que me pareça mais justo e cabível aos olhos que carregamos hoje. Mas a verdade é que fomos escorregando entre todas as fechaduras das portas que atravessamos e pouco de sólido ainda posso te dizer. As palavras são minhas ramificações milagrosas e ultimamente elas tem sido solúveis.
A verdade é que ainda que um abraço forte e de longos segundos carregue segredos codificados talvez não soubéssemos mais lidar com nada além da necessidade de decodificarmos nossas catástrofes. E eu te pressuponho, e tu me pressupõe e nada sabemos uma da outra, e ainda que eu pudesse me fixar por alguns minutos aos teus olhos, tuas roupas não reconheço mais, nenhuma peça preta ou apagada, e me distrairia com a forma como você mexe na pochete pendurada no corpo, assim como a sua certeza lunática de que não há nada de errado com teus cabelos que pedem pra ir embora. Foste azul em algum momento, na minha breve e sorridente imaginação e nada se faz mais coerente que meus chinelos (não mais azuis) e minha guia enroscadas no meu tornozelo esquerdo.
Te acenei com a cabeça como quem diz 'fiquemos onde estamos' pra que eu não toque o intocável, mas aí tu veio, curvando o tronco, como sempre,e me envolveu no silêncio que, longe de rasos pressupostos, talvez seja puro e bom ou só agradabilidade política - ócios do ofício. E se de alguma forma minhas palavras tortas te invadirem num súbito sentimento esmagador, entenda que escrevo daqui e não daí, que por aí, não sei nem que horas são.
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