Antes do velho adeus
Toda vez que você voltou foi como ver o sol depois da tormenta, foi como ver a maré baixa depois da ressaca de uma noite inteira de lua que puxa as águas.
E hoje ainda é tormenta, onde construí abrigo pra não desmoronar, ainda há ondas de sete metros e eu aprendi a respirar debaixo d'água. Mas acontece que as vezes eu choro, no meio da madrugada, num suspiro intenso de quem pede colo, sopro na ferida que arde, mão quente pr'um peito gelado.
E tem o sofá da sala, a garota no quarto, a luz amarela, o violão do lado. Tem a boca que disse 'eu te amo' e o amor que não transbordou do copo.
E você cruzou as pernas no mármore, olhou pela janela de vidros, voltou seu olhar pro chão e num ímpeto certeiro disse que era comigo que queria estar. E eu busquei teu olhar, sempre tão fugitivo e perguntei "tem certeza disso?", "Nunca estive tão certa''... E minh'alma voltou, incorporei a mim mesma pra te amar de corpo e alma. Que festa no peito, que sopro de vida, que boas memórias!
Que susto você me deu, menina...antes de dizer adeus, de novo.
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