Nao feche, abra.

O vento pela fresta fina da janela, querendo arrebentar, faz um barulho incômodo, quase desesperado. Melhor seria fechar de vez, mas há tempos fico apenas olhando e sentindo o arrepio da friagem que sopra e me corta feito navalha.
Me instiga as lâminas e seus cortes, então de nada me apavora, mas o barulho, esse me tira o sono que já se faz atropelado pelas tormentas de um peito inflado.
Não feche, abra. Parece maluquice. Mas não feche, abra.
Já era certo de ser assim, intempérie, inconformado, de choro que não alivia e nem revolta.
É de paralisar; o choro, o vento, o barulho, a lâmina.
Já calculo os passos, as leis da física, os dados e os danos pra escancarar a janela e libertar o sopro contido.
Fechar os olhos, que é janela da alma, pra abrir a janela do peito e quem sabe um dia abrir as duas e junto a elas um sorriso solto.

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