medo

Eu vivo com medo, talvez poucas pessoas percebam isso, mas o medo é minha companhia mais constante. Eu choro de medo, dou risada de medo, caminho, volto atrás, me jogo de um penhasco, por medo. Disse à ela, que também me dá medo, sobre meus sentimentos e ela me disse pra ler Matilde Campilho, eu respondi que choraria mais, e assim o fiz: li e chorei.
Existe um cansaço inigualável que o medo carrega consigo, é de enrijecer todos os músculos, até aquele que você não conhece. Eu me sinto cansada, exausta e encolhida em algum canto dentro de mim mesma enquanto carrego uma imagem fortificada pelo tempo, pelo caos, pelo medo.
Percebi que preciso quebrar o espelho, nada de reflexos mais, nada de reflexos dentro dos inúmeros reflexos, tem que haver uma forma de parar que não seja parar a cabeça e o coração.
Eu gostaria de tomar meus remédios e fumar meu cigarro, eu gostaria da lâmina afiada na pele fria e quem sabe uma dose de alguma bebida sem nome, mas eu não gosto de quem eu me torno quando entorno todas as minhas angústias de uma só vez, as marcas são inalteráveis e a ressaca vem pedindo mais doses de dor e anestesia.

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