Vê se me encontra em azul
Se você estivesse aqui do lado certamente eu já teria te contado sobre como conheci aquela música que me leva até aí. Falaria sobre como desenho teus dias na minha imaginação, e que o céu que encobre a tua casa é azul-turquesa, como minha blusa de dormir.
Certamente já saberia os detalhes de como os músculos do teu rosto se movimentam nas risadas largas que eu lhe arrancaria com as bobeiras que falo antes de dormir.
Mas se você estivesse aqui, o céu azul-turquesa não estaria agora sendo pintado na minha vasta imaginação, nem mesmo as plantinhas da tua casa de madeira, ou os muros da cidade que carregam tuas marcas, tampouco o cheio da tua comida e o ronronar do Rugby.
A ideia de poder sentir o calor da tua pele conhecendo a minha, da entonação da tua voz se alinhando a minha, me aquece o coração a ponto de quase pedir por uma negociação ao universo: quem sabe escambar meu coração aquecido por minha imaginação.
Mas a verdade é que se não houvesse o teu lado daí e eu o meu lado de cá, se eu não tivesse encontrado teu charme enquanto você dançava lindamente do lado de cá, se eu não tivesse visto você acordar ao meu lado depois de uma noite toda enroscada em teu corpo, se eu não tivesse sentido algo gelado por te ver indo embora, e mais ainda por perceber que você sabia que iria e que a vida recomeçaria de onde você havia parado antes, sem mim. Sem nada disso, entre encontros e desencontros, entre intuições e baldes d'água fria, entre as milhas e milhas de distância de nossos corpos e a insegurança de se realmente nos tocaremos algum dia de novo nesse redemoinho que são nossos mundo, sem isso tudo que fingimos não sentir, sem o ralo, sem os passos e os contrapassos, não existiria o céu azul-turquesa que inventei pra acalantar meu peito e a lembrança real do cheiro bom que você guarda no finalzinho da orelha e comecinho do pescoço.
A ideia de poder sentir o calor da tua pele conhecendo a minha, da entonação da tua voz se alinhando a minha, me aquece o coração a ponto de quase pedir por uma negociação ao universo: quem sabe escambar meu coração aquecido por minha imaginação.
Mas a verdade é que se não houvesse o teu lado daí e eu o meu lado de cá, se eu não tivesse encontrado teu charme enquanto você dançava lindamente do lado de cá, se eu não tivesse visto você acordar ao meu lado depois de uma noite toda enroscada em teu corpo, se eu não tivesse sentido algo gelado por te ver indo embora, e mais ainda por perceber que você sabia que iria e que a vida recomeçaria de onde você havia parado antes, sem mim. Sem nada disso, entre encontros e desencontros, entre intuições e baldes d'água fria, entre as milhas e milhas de distância de nossos corpos e a insegurança de se realmente nos tocaremos algum dia de novo nesse redemoinho que são nossos mundo, sem isso tudo que fingimos não sentir, sem o ralo, sem os passos e os contrapassos, não existiria o céu azul-turquesa que inventei pra acalantar meu peito e a lembrança real do cheiro bom que você guarda no finalzinho da orelha e comecinho do pescoço.
Vê se me encontra, garota, que é pra pintar de tinta fresca meu corpo todo, que é pra eu me abrir inteira em versos pra ti, junto a uma garrafa de vinho. Vê se me encontra, e vem com esse sorriso manso, num encanto calado pra gente recomeçar de onde paramos: naquele beijo abraçado e dissolúvel, ao sabor do vento, no ponto de ônibus.
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